Thursday, September 1, 2016

Setembro amarelo - pela prevenção ao suicídio

VI – Desgosto Pela Vida – Suicídio

943. De onde vem o desgosto pela vida que se apodera de alguns indivíduos sem motivos plausíveis?

— Efeito da ociosidade, da falta de fé e geralmente da saciedade. Para aqueles que exercem as suas faculdades com um fim útil e segundo as suas aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente; suportam as suas vicissitudes com tanto mais paciência e resignação quanto mais agem tendo em vista a felicidade mais sólida e mais durável que os espera.

944. O homem tem o direito de dispor da sua própria vida?

— Não; somente Deus tem esse direito. O suicídio voluntário é uma transgressão dessa lei.

944 – a) O suicídio não é sempre voluntário?

— O louco que se mata não sabe o que faz.

945. O que pensar do suicídio que tem por causa o desgosto da vida?

— Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes teria sido tão pesada!

946. Que pensar do suicida que tem por fim escapar às misérias e às decepções deste mundo?

— Pobres Espíritos que não tiveram a coragem de suportar as misérias da existência! Deus ajuda aos que sofrem e não aos que não têm força nem coragem. As tribulações da vida são provas ou expiações. Felizes os que as suportam sem se queixar, porque serão recompensados! Infelizes, ao contrário, os que esperam uma saída nisso que, na sua impiedade, chamam de sorte ou acaso! A sorte ou acaso, para me servir de sua linguagem, podem de fato favorecê-los por um instante, mas somente para lhes fazer sentir mais tarde, e de maneira mais cruel, o vazio de suas palavras.

946 – a) Os que levaram o desgraçado a esse ato de desespero sofrerão as consequências disso?

— Oh! Infelizes deles! Porque responderão como por um assassínio.

947. O homem que se vê às voltas com a necessidade e se deixa morrer de desespero pode ser considerado como suicida?
      
—E um suicida, mas os que o causaram ou que o poderiam impedir são mais culpáveis que ele, a quem a indulgência espera. Não acrediteis, porém, que seja inteiramente absolvido se lhe faltou a firmeza e a perseverança, e se não fez uso de toda a sua inteligência para sair das dificuldades. Infeliz dele, sobretudo, se o seu desespero é filho do orgulho; quero dizer, se é um desses homens em que o orgulho paralisa os recursos da inteligência e que se envergonhariam se tivessem de dever a existência ao trabalho das próprias mãos, preferindo morrer de fome a descer do que chamam a sua posição social! Não há cem vezes mais grandeza e dignidade em lutar contra a adversidade, em enfrentar a crítica de um mundo fútil e egoísta, que só tem boa vontade para aqueles a quem nada falta, e que vos volta as costas quando dele necessitais? Sacrificar a vida à consideração desse mundo é uma coisa estúpida, porque ele não se importará com isso.

948. O suicida que tem por fim escapar à vergonha de uma ação má é tão repreensível como o que é levado pelo desespero?


— O suicídio não apaga a falta. Pelo contrário, com ele aparecem duas em lugar de uma. Quando se teve a coragem de praticar o mal, é preciso tê-la para sofrer as consequências. Deus é quem julga. E, segundo a causa, pode, às vezes, diminuir o seu rigor.

949. O suicídio é perdoável quando tem por fim impedir que a vergonha envolva os filhos ou a família?


— Aquele que assim age não procede bem, mas acredita que sim, e Deus levará em conta a sua intenção, porque será uma expiação que a si mesmo se impôs. Ele atenua a sua falta pela intenção, mas nem por isso deixa de cometer uma falta. De resto, se abolirdes os abusos da vossa sociedade e os vossos preconceitos, não tereis mais suicídios.
Comentário de Kardec: Aquele que tira a própria vida para fugir à vergonha de uma ação má, prova que tem mais em conta a estima dos homens que a de Deus, porque vai entrar na vida espiritual carregado de suas iniquidades, tendo-se privado dos meios de repará-las durante a vida. Deus é muitas vezes menos inexorável que os homens: perdoa o arrependimento sincero e leva em conta o nosso esforço de reparação; mas o suicídio nada repara.

950. Que pensar daquele que tira a própria vida com a esperança de chegar mais cedo a uma vida melhor?

— Outra loucura! Que ele faça o bem e estará mais seguro de alcançá-la, porque, daquela forma, retarda a sua entrada num mundo melhor e ele mesmo pedirá para vir completar essa vida que interrompeu por uma falsa idéia. Uma falta, qualquer que ela seja, não abre jamais o santuário dos eleitos.

951. O sacrifício da vida não é às vezes meritório, quando tem por fim salvar a de outros ou ser útil aos semelhantes?

— Isso é sublime, de acordo com a intenção, e o sacrifício da vida não é então um suicídio. Mas Deus se opõe a um sacrifício inútil e não pode vê-lo com prazer, se estiver manchado pelo orgulho. Um sacrifício não é meritório senão pelo desinteresse, e aquele que o pratica tem, às vezes, uma segunda intenção que lhe diminui o valor aos olhos de Deus.
Comentário de Kardec: Todo sacrifício feito à custa da própria felicidade é um ato soberanamente meritório aos olhos de Deus, porque é a prática da lei de caridade. Ora, sendo a vida o bem terreno a que o homem dá maior valor, aquele que a ela renuncia pelo bem dos seus semelhantes não comete um atentado: é um sacrifício que ele realiza. Mas antes de o realizar deve refletir se a sua vida não poderá ser mais útil que a sua morte.

952. O homem que perece como vítima do abuso das paixões que, como o sabe, deve abreviar o seu fim mas às quais não tem mais o poder de resistir, porque o hábito as transformou em verdadeiras necessidades físicas, comete um suicídio?
     
— E um suicídio moral. Não compreendeis que o homem, neste caso, é duplamente culpado? Há nele falta de coragem e bestialidade, e além. disso o esquecimento de Deus.

952 – a) É mais ou menos culpado do que aquele que corta a sua vida por desespero?

— É mais culpado porque teve tempo de raciocinar sobre o seu suicídio. Naquele que o comete instantaneamente há. às vezes, uma espécie de desvario que se aproxima da loucura; o outro será muito mais punido, porque as penas são sempre proporcionadas à consciência que se tenha das faltas cometidas.

953. Quando uma pessoa vê à sua frente uma morte inevitável e terrível, é culpada por abreviar de alguns instantes o seu sofrimento, por uma morte voluntária?

— Sempre se é culpado de não esperar o termo fixado por Deus. Aliás, haverá certeza de que ele tenha chegado, malgrado as aparências, e não se pode receber um socorro inesperado no derradeiro momento?

953 – a) Concebe-se que, em circunstancias ordinárias, seja o suicídio repreensível, mas figuramos o caso em que a morte é inevitável e em que a vida só é abreviada por alguns instantes.

— É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador.

953 – b) Nesse caso, quais são as consequências de tal ação?

— Uma expiação proporcional à gravidade da falta, segundo as circunstâncias, como sempre.

954. Uma imprudência que compromete a vida sem necessidade é repreensível?

— Não há culpabilidade quando não há a intenção ou a consciência positiva de fazer o mal.

955. As mulheres que, em certos países, se queimam voluntariamente sobre os corpos de seus maridos podem ser consideradas como tendo se suicidado e sofrem as consequências disso?

— Elas obedecem a um preconceito e geralmente o fazem mais pela força do que pela própria vontade. Acreditam cumprir um dever, o que não é característica do suicídio. Sua escusa está na falta de formação moral da maioria delas e na sua ignorância. Essas usanças bárbaras e estúpidas desaparecem com a civilização.

956. Os que, não podendo suportar a perda de pessoas queridas, se matam, na esperança de se juntarem a elas, atingem o seu objetivo?

— O resultado para elas é bastante diverso do que esperam, pois, em vez de se unirem ao objeto de sua afeição, dele se afastam por mais tempo, porque Deus não pode recompensar um ato de covardia e o insulto que lhe é lançado com a dúvida quanto à sua providencia. Eles pagarão esse instante de loucura com aflições ainda maiores do que aquelas que quiseram abreviar, e não terão para os compensar a satisfação que esperavam. (Ver item 934 e seguintes.)

957. Quais são, em geral, as consequências do suicídio sobre o estado do Espírito?
     
— As consequências do suicídio são as mais diversas. Não há penalidades fixadas e em todos os casos elas são sempre relativas às causas que o produziram. Mas uma consequência a que o suicida não pode escapar é o desapontamento. De resto, a sorte não é a mesma para todos, dependendo das circunstâncias. Alguns expiam sua falta imediatamente, outros numa nova existência, que será pior que aquela cujo curso interromperam.

Comentário de Kardec: A observação mostra, com efeito, que as consequências do suicídio não são sempre as mesmas. Há, porém, as que são comuns a todos os casos de morte violenta, as que decorrem da interrupção brusca da vida. É primeiro a persistência mais prolongada e mais tenaz do laço que liga o Espírito e o corpo, porque esse laço está quase sempre em todo o seu vigor no momento em que foi rompido, enquanto na morte natural se enfraquece gradualmente e em geral até mesmo se desata antes da extinção completa da vida. As consequências desse estado de coisas são a prolongação da perturbação espírita, seguida da ilusão que, durante um tempo mais ou menos longo, faz o Espírito acreditar que ainda se encontra no número dos vivos. (Ver itens 155 e 165.)
A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz, em alguns suicidas. uma espécie de repercussão do estado do corpo sobre o Espírito, que, assim, ressente, malgrado seu, os efeitos da decomposição, experimentando uma sensação cheia de angústia e horror. Esse estado pode persistir tão longamente quanto tivesse de durar a vida que foi interrompida. Esse efeito não é geral; mas em alguns casos o suicida não se livra das consequências de sua falta de coragem e, cedo ou tarde, expia essa falta, de uma ou de outra maneira. É assim que certos Espíritos, que haviam sido muito infelizes na Terra, disseram haver se suicidado na existência precedente e estar voluntariamente submetidos a novas provas, tentando suportá-las com mais resignação. Em alguns, é uma espécie de apego à matéria, da qual procuram inutilmente desembaraçar-se para se dirigirem a mundos melhores, mas cujo acesso lhes é interditado. Na maioria, é o remorso de haverem feito uma coisa inútil, da qual só provam decepções.
A religião, a moral, todas as filosofias condenam o suicídio como contrário à lei natural. Todas nos dizem, em princípio, que não se tem o direito de abreviar voluntariamente a vida. Mas por que não se terá esse direito? Por que não se é livre de pôr um termo aos próprios sofrimentos? Estava reservado ao Espiritismo demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio não é apenas uma falta como infração a uma moral, consideração que pouco importa para certos indivíduos, mas um ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica e até pelo contrário. Não é pela teoria que ele nos ensina isso, mas pelos próprios fatos que coloca sob os nossos olhos(1).

(1) O argumento espírita contra o suicídio não é apenas moral, como se vê, mas também biológico, firmando-se no princípio de ligação entre o Espírito e o corpo. A morte, como fenômeno natural, tem as suas leis, que o Espiritismo revelou através de rigorosa investigação. O sofrimento do suicida decorre do rompimento arbitrário dessas leis; é como arrancar à força um fruto verde da árvore.

— As estatísticas mostram que a incidência do suicídio é maior nos países e nas épocas em que a ambição e o materialismo se acentuam, provocando mais abusos e excitando preconceitos. A falta de organização social justa e de educação para todos é causa de suicídios e crimes. Ver o final do item 949: “… se abolirdes os abusos da vossa sociedade e os vossos preconceitos, não tereis mais suicídios.” (N. do T.)

O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - tradução de José Herculano Pires

Fraternalmente,

Refletindo o Espiritismo





Thursday, April 14, 2016

Nas asas do amor voltei

Para muito longe voei,
De Ti resolvi separar;
Fui nas asas da ilusão,
Que traz angústia a alucinar.

Para tão, tão longe fui,
Já não mais luz entrevia;
A mesma que no futuro,
Será toda sabedoria.

As asas da ilusão são largas,
Enganam ser vigorosas;
Porém, são apenas quimeras,
Degradantes e temerosas.

Mas com Sua infinita bondade,
Sempre esteve a me esperar;
A volta do filho pródigo,
Cansado de tanto errar.

E nas asas do amor voltei,
Ao Seu regaço amoroso;
Trabalhar agora é a lei,
Por todo aquele que volta culposo.

Engana-se quem profere,
Que voltamos também pela dor;
O sofrimento não regenera,
Se com ele não reina o amor.

Então nas asas do amor voltei,
E pretendo não mais regressar;
Ao mundo de desacertos,
Que só nos faz ludibriar.

Gabriela Junqueira Balassiano

Fraternalmente,

Refletindo o Espiritismo


Tuesday, March 22, 2016

Nos Passos do Mestre

Atenção pessoal, estréia neste 24 de Março, o filme "Nos Passos do Mestre". Esperamos tanto por esta estréia! Que maravilha, Jesus Cristo numa visão Espírita!

Gratidão Nos Passos do Mestre, gratidão Professor Severino Celestino de Abrindo a Bíblia.

*Refletindo o Espiritismo vibrando paz e amor para o mundo*











 

Monday, February 29, 2016

A raiva

A raiva é orgulho ferido,
Não conhece a tolerância;
Não faz parte do homem de bem,
Que espalha virtudes em abundância.

E cruel não só é quem o faz,
Que por vezes vive a rudeza;
Cruel duplamente é aquele,
Que contra-ataca com raiva e destreza.

A raiva move a vingança,
Ato torpe que rebaixa ao mal;
Companheira terrível da alma,
Que alimenta de ódio a moral.

É ainda veneno feroz,
Que destrói e corrói-nos aos poucos;
Faz brotar sentimentos impuros,
Estacionar na vileza dos loucos.

E o raivoso orgulhoso esbraveja,
Não ter culpa do mal que padece;
Quer colher sem plantar as virtudes,
Exige o apreço que não o merece.

Mas se a raiva à porta nos bate,
Não precisamos de todo temer;
Redobremos as forças na paz,
E oremos para nos proteger.

Nos momentos insanos de raiva,
Nunca devemos mal reagir;
Ao contrário elevar a doçura,
E deixar o amor bem agir.

Domemos então toda a fúria,
Contra quem clamamos maldito;
Não importa o que o outro nos faça,
Valoroso é manter-se bendito.

Alimentar sentimentos nobres,
Primando sempre pelo perdão;
Nos faz somar tesouros da alma,
Vinha de luz, do coração!

Gabriela Junqueira Balassiano

Fraternalmente,
Refletindo o Espiritismo
 
 
NOVIDADE!
 
Agora nossos poemas podem ser ouvidos nos websites Jardin de Lys (no Cantinho do Artista) e WebRádio Fraternidade (entre algumas programações e no Momento de Oração das 12:00pm), além da União Rádio Web de Piracicaba, que pode ser acessada no aplicativo irádios.


Monday, February 15, 2016

AME-Brasil: sobre o Zika Vírus e o Aborto


Posição oficial da Associação Médico-Espírita do Brasil (AME-Brasil) sobre o Zika vírus e o aborto

VIDA SIM, ABORTO NÃO!

Segue, abaixo, na íntegra, o texto que pode ser encontrado no website da AME-Brasil: http://www.amebrasil.org.br/2015/node/831



Zika Vírus e o Aborto

Os que defendem a legalização do aborto encontraram na associação do aumento da microcefalia com o surto de zika vírus uma oportunidade para retomar a discussão da liberação do aborto no Brasil.

Recentemente foi noticiado que grupo liderado pela Débora Diniz, do instituto de bioética Anis, prepara uma ação no STF para a liberação do aborto em casos de microcefalia. É o mesmo grupo que propôs a ação para interrupção da gravidez de anencéfalos, acatada pelo STF em 2012.

A bióloga e feminista Ilana Löwy, numa entrevista para a Revista ÉPOCA, vê no surto de zika vírus uma oportunidade para se debater o direito de decisão da mulher de ter ou não o bebê, como aconteceu com a epidemia de rubéola no Reino Unido. Interessante é que a Rubéola hoje em dia é uma doença totalmente controlável e passível de prevenção através da vacinação, deixando de ser um risco epidêmico, usado como justificativa para a liberação do aborto na Europa.

Os argumentos utilizados se baseiam na liberdade da mulher poder escolher o que é melhor para si, esquecendo que existe uma vida a qual se está negando o primeiro e mais fundamental dos direitos humanos, o direito à vida.

Cabe ressaltar que os fundamentos utilizados para liberar o aborto dos fetos anencéfalos não se aplicam nesses casos.

O diagnóstico da microcefalia é tardio, em torno da 28ª semana, diferentemente da anencefalia, que é feito a partir da 12ª semana de gestação.

As lesões da microcefalia geralmente aparecem na ultrassonografia depois da 24ª e não são incompatíveis com vida, como nos casos de anencefalia.

Além disso, o diagnóstico ecográfico de lesão neurológica não é 100% seguro, já que depende da análise de um profissional passível de equívocos. Existem inúmeros relatos de erros em fetos com diagnóstico de mal-formações neurológicas e que nasceram perfeitamente normais.

No entanto, os que argumentam em favor do aborto querem transformar o diagnóstico de microcefalia em atestado de morte para todas as crianças das mães que contraíram o zika vírus e que optarem pela interrupção da gravidez, mesmo com possibilidades de nascerem normais ou com poucas sequelas neurológicas.

Com o avanço da medicina fetal e da genética médica, hoje é possível a detecção, ainda no útero, de várias anomalias fetais. Diversas técnicas como ultrassom morfológico, ultrassom de terceira dimensão, a biópsia de vilos coriais, a amniocentese, a cordocentese, o desenvolvimento da técnica citogenética molecular permitem o diagnóstico intrauterino de várias doenças. O diagnóstico permite iniciar o tratamento antes do nascimento, como cirurgias intrauterinas para correções de más-formações, assim como a preparação psicológica dos pais para o enfrentamento das graves anomalias.

Querer selecionar apenas as crianças saudáveis com direito à vida é retomar a prática da eugenia feita na Grécia antiga e pelo nazismo, abrindo um precedente para a liberação do aborto em outros casos de microcefalia como as causadas por hipóxia neonatal, desnutrição grave na gestação, fenilcetonúria materna, rubéola congênita na gravidez, toxoplasmose congênita na gravidez, infecção congênita por citomegalovírus ou em doenças genéticas como Síndrome de Down, Síndrome de Cornelia de Lange, Síndrome Cri du Chat, Síndrome de Rubinstein – Taybi, Síndrome de Seckel, Síndrome de Smith-Lemli–Opitz e Síndrome de Edwards.

Nesses casos pessoas como Ana Carolina Dias Cáceres, moradora de Campo Grande (MS), hoje com 24 anos e formada em jornalismo, e tantas outras crianças em situações parecidas, não teriam direito à vida.

Ao saber da iniciativa de alguns em defender o aborto de fetos com microcefalia, Ana Cáceres veio a público dar seu depoimento a BBC do Brasil em defesa dos portadores de microcefalia.

Nos casos microcefalia não se pode falar na opção de abortamento, pois não se trata de patologia letal que inviabilize a vida extrauterina. Embora as limitações que possam surgir, a expectativa de vida das crianças com microcefalia não são diferentes das outras crianças, exigindo, no entanto, estimulação e cuidados especiais para melhorar a sua qualidade de vida.

A discussão do aborto em casos de microcefalia retrata bem o momento pós-moderno em que vivemos, o que Bauman, um dos maiores pensadores da atualidade, chama de modernidade líquida. Na modernidade líquida os indivíduos não possuem mais padrões de referência, nem códigos sociais e culturais que lhes possibilitem, ao mesmo tempo, construir sua vida e se inserir dentro das condições de classe e cidadão.

A modernidade líquida trouxe descentramento do homem, do sujeito, produzindo identidades híbridas, locais e globais, efêmeras sobre tudo. É a cultura do efêmero, da destruição criativa, “tudo que é sólido desmancha no ar” na imagem trazida por Berman.

Para a maioria dos autores, a pós-modernidade é marcada como a época das incertezas, das fragmentações, do narcisismo, da troca de valores, do vazio, do niilismo, da deserção, do imediatismo, da efemeridade, do hedonismo, da substituição da ética pela estética, da apatia, do consumo de sensações e do fim dos grandes discursos.

A educação recebida dos pais e das escolas, os valores morais que orientam as boas relações sociais, o fortalecimento da família e a busca do bem comum está perdendo espaço para novas formas de comportamento regidas pelas leis do mercado, do consumo e do espetáculo.
Existe uma crise de valores com perda de referenciais importantes em detrimento de uma vida superficial e de um discurso liberal.

Na sociedade pós-moderna predomina o ter acima do ser, o prazer pelo prazer, o prazer acima de tudo, a permissividade que justifica que tudo é bom desde que me sinta bem, o relativismo no qual não há nada absoluto, nada totalmente bom ou mau e as verdades são oscilantes, o consumismo, se vive para consumir, e o niilismo caracterizado pela subjetividade, a paixão pelo nada, numa indiferença assustadora.

Renata Araújo descreve muito bem o sujeito pós-moderno:

“A pós-modernidade nos apresenta um sujeito imediatista, fragmentado, narcisista, desiludido, ansioso, hedonista, deprimido, embora também informatizado, buscando independência, autonomia e defesa de seus direitos. Mas, a supervalorização e autonomia geram um individualismo, um egocentrismo, uma ênfase na subjetividade, sendo o outro apenas para a consecução de seus objetivos pessoais.” (ARAÚJO, p. 1 e 2)

Vive-se numa época de grande competitividade e de pouca solidariedade. Em nome dessa nova ideologia, os indivíduos se permitem agir passando por cima de valores fundamentais.

A coisificação da vida e o predomínio dos interesses pessoais em detrimento do coletivo são bem característicos dessa fase em que vivemos.

Entretanto, aprendemos com a genética que a diversidade é a nossa maior riqueza coletiva. E o feto anômalo, mesmo o portador de grave deficiência, como é o caso da microcefalia, faz parte dessa diversidade. Deve ser, portanto, preservado e respeitado.

Necessário se faz proteger também a gestante, dando a ela apoio em sua gravidez e proporcionando tratamento ao seu futuro filho.

Reconhecemos que a mulher que gera um feto deficiente precisa de ajuda psicológica por longo tempo; constatamos, porém, que, na prática, esse direito não lhe é assegurado.

O aborto provocado é um procedimento traumático com repercussões gravíssimas para a saúde mental da mulher e que geralmente aparecem tardiamente.

O aborto produz um luto incluso devido à negação da ocorrência de uma morte real, mas esse aspecto é totalmente desconsiderado.

As mulheres sofrem uma perda e suas necessidades emocionais são relegadas ou escondidas. Elas não conseguem vivenciar o seu luto e lidar com a culpa. Esse processo vai gerar profundas marcas e favorecer o surgimento da Síndrome pós-aborto (PAS).

Psiquiatras e psicólogos especializados em atender mulheres que abortaram alertam para o aumento dos transtornos emocionais causados pelo aborto provocado. Eles afirmam que os efeitos psicológicos do aborto são extremamente variados e não são determinados pela educação recebida ou pelo credo religioso. Esclarecem que a reação psicológica ao aborto espontâneo e ao aborto involuntário é diferente, está relacionada com as características de cada um desses dois eventos. O aborto espontâneo é um evento imprevisto e involuntário, enquanto o aborto provocado interrompendo o desenvolvimento do embrião ou do feto e extraindo-o do útero materno contempla a responsabilidade consciente da mãe. As mulheres que se submeteram ao aborto afirmam que a culpa não é gerada de fora para dentro, infundida nelas por outras pessoas ou pela religião, ao contrário, ela surge e cresce em seu mundo íntimo a partir do ato abortivo.

Os problemas emocionais gerados pelo aborto são tão graves, que em muitos países onde ele é legalizado, foram criadas, pelas próprias mulheres vitimadas pelo aborto, associações como a Women Exploited by Abortion (Mulheres Exploradas pelo Aborto) nos EUA, e a Asociación de Víctimas del Aborto (Associação de Vítimas do Aborto) na Espanha, que orientam e alertam sobre as consequências prejudiciais do aborto.

O aborto não é definitivamente uma "solução fácil" como afirmam muitos, mas um grave problema, um ato agressivo que terá repercussões contínuas na vida da mulher.

As consequências danosas provocadas pelo aborto à saúde mental nos países onde ele foi legalizado é tão grave como a depressão profunda, que o Royal College of Psychiatrists (associação dos psiquiatras britânicos e irlandeses), alertaram que a mulher deve ser comunicada para os graves riscos emocionas que se submete caso opte pela interrupção da gravidez.

Portanto, aborto nunca será uma solução, sempre um lado ou ambos serão prejudicados. Não é dando a mulher autonomia para matar seu filho dentro de seu ventre que resolveremos os problemas sociais. Isto não passa de demagogia. É necessário investir na educação das massas para prevenção da gravidez indesejada, mas jamais matar uma criança inocente. Os fins não podem justificar os meios.

A sociedade que apela para o aborto declara-se falida em suas bases educacionais, porque dá guarida à violência no que ela tem de pior, que é a pena de morte para inocentes. Compromete, portanto, o seu projeto mais sagrado que é o da construção da paz.

A Associação Médico-Espírita do Brasil reitera seu posicionamento contra qualquer forma de violência a uma nova vida que não põe em risco a vida materna e que surge aguardando o auxílio de braços fortes e sensíveis que lhe ampare em sua fragilidade.
Concitamos a todos os colegas das AMEs para continuarmos firmes em defesa da vida e da paz.

AME-Brasil

REFERÊNCIAS
1) ARAÚJO, Renata Castro Branco. O Sofrimento Psíquico na Pós-Modernidade: Uma Discussão Acerca dos Sintomas Atuais na Clínica Psicológica. Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-Graduação em Psicologia Clínica. Disponível em: http://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0311.pdf Acessado em 09/02/2016.
2) BAUMAN, Zygmunt. Ética Pós-moderna. São Paulo: Paulus Ed., 1997.
3) BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.
4) BAUMAN, Zygmunt. Tempos Líquidos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007.
5) BAUMAN, Zygmunt. Cegueira Moral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2014
6) BERMAN, Marshall. Tudo que é Sólido Desmancha no Ar. São Paulo: Schwarce ed., 1986.
7) CÁCERES, Ana Carolina Dias 'Existo porque minha mãe não optou pelo aborto', diz jornalista com microcefalia. Disponível em:
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/02/1735812-existo-porque-min... Acessado em 09/02/2016.
8) LÖWI, Ilana. A rubéola levou à legalização do aborto no Reino Unido. O zika fará o mesmo no Brasil? Disponível em: http://epoca.globo.com/vida/noticia/2016/02/rubeola-levou-legalizacao-do... Acessado em 09/02/2016.
9) RAZZO, Francisco. Um novo nome para uma velha fantasia. Disponível em: http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/um-novo-nome-para-uma-vel... Acessado em 09/02\/2016.

Fraternalmente,
Refletindo o Espiritismo
 
 

Thursday, February 11, 2016

Conhecimento que liberta

Estudemos cada letra,
Cada frase encoberta;
Somente assim adquirimos,
Conhecimento que liberta.

A ignorância aprisiona,
Faz a luz nos apagar;
Restringindo cada passo,
Que nos faz subestimar.

Satisfazer-se com o pouco,
É limitar a existência;
Colocando-se em perigo,
De estacionar toda a ciência.

Com a razão alicerçada,
Toda fé é inabalável;
Não se corre algum risco,
De se crer no contestável.

São chegados os tempos áureos,
Estudemos sem cessar;
Pousando a luz sobre o alqueire,
E na vanguarda se firmar.

Então soltemos as amarras,
Que há eras nos reprime;
Reunindo aprendizado,
Em amor puro e sublime.

O despotismo perde espaço,
Para o livre pensamento;
Mãos à obra do futuro,
Cheios de contentamento.

Assim sendo nos lembremos,
Que estudar é lei aberta;
Levantemos a bandeira,
Conhecimento que liberta.

Gabriela Junqueira Balassiano

Fraternalmente,
Refletindo o Espiritismo
 
 

 

Thursday, January 28, 2016

Visão Espírita do Carnaval

Se em algumas almas ainda existe a necessidade de brincar o carnaval, que estas brinquem com moderação, procurando a alegria saudável.

É importante lembrar, sempre, que "atrás do trio elétrico TAMBÉM VAI quem já morreu!"

Mantenhamos nossos corações em prece, nesta época em que o Planeta recebe de assalto uma "...verdadeira infestação espiritual perturbadora da sociedade terrestre, quando legiões de espíritos infelizes, ociosos e perversos, são atraídas e sincronizam com as mentes desarvoradas", deixando para trás consequências devastadoras como doenças, distúrbios afetivos e morais, quebras financeiras, homicídios e suicídios, acidentes, estupros, crianças abandonadas, etc.

Fraternalmente,
 
Refletindo o Espiritismo
 


Wednesday, December 30, 2015

Sete razões pelas quais um cientista crê em Deus

(O texto, abaixo, foi retirado do blog Gestão e Evolução)

 
Primeira: Por uma determinada lei, lógica, nós podemos provar que nosso Universo foi projetado e executado por uma inteligência engenheira.

Suponha que você coloque dez moedas, marcadas de 1 a 10, dentro do seu bolso e lhes dê uma boa sacudidela. Agora experimente pegá-las na seqüência, de 1 a 10, pondo cada uma na sua vez e sacudindo de novo. Sabemos que, matematicamente, a sua chance de acertar na número 1 é de uma em dez; de acertar 1 e 2 em seqüência, é de uma em cem; de acertar 1, 2 e 3 em seqüência é de uma em mil e assim por diante; sua chance de acertá-las todas, de 1 a 10 sucessivamente, alcançaria o cálculo inacreditável de uma em dez bilhões.

Aqui o Dr. Cressy Morrison convida os homens a que meditem apenas em algumas das leis que mantêm o equilibro da vida na Terra, como, por exemplo, a velocidade com que a Terra realiza os seus movimentos de rotação e de translação em volta de si mesma e do Sol; é sabido que ela corre com a velocidade de cerca de 1.600 km/h, o que não é um acaso, é uma lei matemática de equilíbrio para sustentar a vida na sua face, porquanto, diz ele, se por acaso a Terra se movimentasse apenas com a velocidade de um décimo, ou seja, 160 km/h, a vida nela seria impossível. Isto porque os dias seriam de 120 horas e as noites de 120 horas de sombra iriam encarregar-se de destruir pelo frio, através da motivação dos continentes gelados. Logo, alguma coisa estabeleceu a lei de equilíbrio, para que a Terra girasse com tal velocidade.

E prossegue o Dr. Cressy Morrison dizendo que quando nos detemos a olhar a atmosfera, basta lembrar que ela foi programada e medida, porque se a atmosfera da Terra fosse mais rarefeita de apenas um quilômetro, a vida no orbe seria impossível, porquanto se sabe que caem sobre a Terra diariamente cerca de 50 milhões de aerólitos e meteoritos, que se não fosse por essa atmosfera, que pelo atrito os rala e dissolve, a Terra seria bombardeada 50 milhões de vezes por dia, lavrando incêndios e destruições inomináveis, e a vida na Terra seria portanto impossível.
Bastava que o fundo do mar fosse mais profundo de 3 metros e a vida seria impossível, porque o oxigênio do ar seria absorvido e o ácido carbônico também seria recebido pelas águas, matando toda forma de vida, quer no seio das águas, quer na superfície lisa; se por acaso a superfície da Terra fosse mais alta de 2 metros, o fenômeno seria oposto e a vida seria conseqüentemente impossível.

Se por acaso a distância que separa a Lua da Terra não fosse de cerca de 370.000 km, mas de apenas 70.000 km, a vida seria impossível, porque a pressão magnética do satélite sobre os mares faria levantar ondas tão altas e terríveis, que estas marés e preamares destruiriam totalmente a vida na Terra, lambendo os picos mais altos do Himalaia.

Na mesma ordem de raciocínio, se a inclinação do eixo da Terra não fosse 18/24 graus, mas estivesse em uma vertical ou mudasse de posição, a vida seria impossível, porque os gelos antárcticos escorreriam pela Terra, levando tudo de roldão.

Desse modo, assegurou o Dr. Cressy Morrison, por essa singela lei, e por uma série de outras leis que seria fastidiosos enumerar, eu creio em Deus, como, por exemplo, a distância que separa a Terra do Sol – aproximadamente 150.000.000 km -, o que dá à Terra uma tépida sensação de calor, não insuficiente nem demasiada para a sua manutenção, porque o Sol tem uma temperatura superficial de cerca de 6.648º C. Assim, se a Terra estivesse mais próxima, seria destruída pelo calor; se estivesse mais afastada, seria destruída pela falta de calor, dos raios ultravioletas e infravermelhos e dos caloríficos, que mantêm o equilíbrio metabólico na vida vegetativa.

Logo, uma inteligência matemática e superior estabeleceu as condições para a vida na Terra e é evidente, deste e de outros exemplos, que não há uma única chance em bilhões para que a vida no nosso planeta fosse o resultado de um acidente.

Segunda: O talento da vida para executar a sua proposta é toda a manifestação de uma inteligência suprema.

Aqui o Dr. Cressy Morrison afirma que crê em Deus graças a uma lei singela, que está imanente em tudo e em todos: a lei da vida. Que é a vida? Por mais que se haja tentado definir que é a vida, as definições são todas incompletas. A Biologia, a Filosofia têm tentado definir a vida, mas ninguém sabe o que é a vida na sua realidade. Não obstante, a vida está em toda parte, está aqui, ali, além alhures, em todo lugar. Mas, que é a vida? A vida é o arquiteto maravilhoso, que ergue nas profundezas submarinas os castelos de algas e de corais. É o extraordinário escultor, que trabalha cada folha e talhe, ramículos e contornos jamais repetidos em qualquer outra flor ou folha encontrada na Terra. É o paciente professor de música que ensina cada pássaro a entoar a sua canção de amor. É o químico sublime, que dá a cada fruta o seu sabor característico e inconfundível. É o perfumista caprichoso, que transforma o humo em aroma. É o ser terrrível, que consegue converter água em açúcar e madeira. Mas onde está a vida? A vida está no protoplasma. O protoplasma é uma gota gelatinosa transparente, invisível a olho nu – uma cabeça de alfinete comportaria cinco milhões -, mas que é atraída pelo heliotropismo, e isso é a vida, é a grandeza da vida.Se por acaso toda a vida desaparecesse da face da Terra – animal, vegetal, humana - e ficasse um só protoplasma e um raio de sol dissidente, logo a vida se restabeleceria, porque através da lei da cissiparidade esse protoplasma se bipartiria, novamente e em breve estariam os campos e prados reverdecidos, os mares e rios povoados, a Terra povoada, na bagatela de 10 bilhões de anos apenas. Por isso, proclama o Dr. Cressy Morrison, eu creio em Deus.

Terceira: A sabedoria animal fala irresistivelmente de um bom Criador, que infunde instintos a todas as suas desamparadas e pequenas criaturas.

Esta razão científica da crença do Dr. Cressy Morrison em Deus decorre da inexplicabilidade do instinto dos animais. Sabemos como se manifesta o instinto, mas não onde se encontra e nem como é o seu mecanismo. Mas o instinto dos animais e o heliotropismo das plantas são tão extraordinários que dentro das águas de muitos lagos existem duas plantas que se amam profundamente. A planta feminina independe da planta masculina. A planta feminina é caprichosa, como aliás tudo que é feminino é caprichoso. Quando chega a época de abrir-se em botão, ela desprende aquele cordel vegetal que vai desenrolando-se, até chegar à crista das águas da superfície em que a flor se abre; a planta masculina, sabendo que está na hora da fecundação, arrebenta o pendúnculo, porque ele é débil, e sobre, e se abre exatamente quando vento vai soprar na direção da planta aberta feminina; o pólen é carreado, a planta feminina absorve-o, fecha-se e volta a descer; então se multiplica na intimidade das águas inferiores. Por que? Milagre da vida, grandeza de um instinto vegetal, que, no reino animal, está estabelecido desde as aves, os peixes e os mais pequeninos insetos.

No João-de-barro, que,chegando à época do acasalamento para a perpetuação da espécie, sobe à árvore mais alta e ali ergue o seu ninho; mas antes de colocar a porta ele trepa ao galho superior e coloca o bico na direção dos ventos, para saber de que direção virão os ventos hibernais e poder então abrir a porta do lado oposto ao do vendaval, a fim de preservar a sua prole. E não erra nunca, o que mata de inveja os serviços de metereologia, que não acertam jamais. Quem e o que ensinou o João-de-barro a produzir uma técnica de perfeição que lhe mantém a sobrevivência?
E milagre das enguias? As enguias são peixes em forma de serpente que só se reproduzem em água profundas e frias. Quando vão procriar elas abandonam todos os mares, todos os lagos, todas as águas do mundo e começam a nadar na direção das águas abissais das Bermudas. Ali elas procriam e morrem. Mas os seus filhos sabem de onde vieram seus pais. Fazem a viagem de volta e vão habitar as águas de onde vieram seus ancestrais. Os piscicultores e pescadores atestam que jamais encontraram extraviadas enguias americanas em água européias e vice-versa. Mas a lei foi tão caprichosa que estabeleceu para a enguia européia um atraso de maturação da fecundação de um ano, porque as Bermudas estão mais longe da Europa do que da América e elas devem se encontrar na mesma oportunidade em que as águas estejam necessariamente frias para procriarem. A lei retarda um ano, que é o tempo que elas gastam, as européias, para chegarem às Bermudas quando chegam suas irmãs americanas.

Mas a vespa é muito mais fácil na manutenção do seu instinto, porque ela sabe que quando vai procriar também vai morrer. Ela colocar os ovos numa furna e sabe que os seus descendentes já nascem adultos, porque todo inseto já nasce adulto. E eles só poderão sobreviver se comerem carne, carne viva. Então a vespa faz uma viagem até encontrar um gafanhoto; aplica-lhe um golpe que o torna hibernando; deixa-o paralisado, porém vivo. Carrega-o e coloca junto aos seus ovos. Nenhum entomologista e nenhum anestesista conseguiram até hoje fazer a aplicação paralisante no nervo do gafanhoto, que o imobiliza, porque às vezes aplicam veneno demais e matam o “paciente”, ou aplicam de menos e o “paciente” não se deixa devorar. Mas a vespa sabe. Sai dali e morre. Quando os ovos se arrebentam e as pequeninas vespas começam a comer com voracidade, o gafanhoto sobrevive, porque elas se alimentam das partes não vitais, pois sabem que se matarem o gafanhoto e comerem carne podre morrem também. Que técnica é essa? Instinto é uma palavra que não diz nada convencional. É uma lei, que estabeleceu científica e matematicamente o equilíbrio da flora e da fauna na face da Terra.

Quarta: O homem tem alguma coisa mais do que um instinto animal – o poder da razão.

Neste ponto, o Dr. Cressy Morrison assegura que crê em Deus por causa da razão. Ocorre que o instinto é uma nota monótona, que se repete sempre a mesma, sempre igual. Mas a razão são as sete notas musicais, é a pauta, é a sinfonia, é o canto melódico. Através da razão pode o homem entender Deus e contemplar a possibildade de ser o que é somente porque recebemos uma centelha da Inteligência Universal.

Quinta: A provisão para toda vida é revelada na fenomenal maravilha dos genes.

Os genes habitam cada célula viva e são a chave de todos os caracteres humanos e vegetais. Pois, bem se todos esse minúsculos genes, responsáveis pela vida de todas as pessoas do mundo, pudessem ser colocados em apens um lugar, eles não encheriam um simples dedal, que seria suficiente para armazenar toda a herança genética individual de bilhões de seres humanos. Estes fatos são inquestionáveis.

É aqui que realmente a evolução começa - na célula, uma entidade minúscula que guarda e cuida dos genes. Esse microscópico gene pode ditar absolutamente a regra da vida na Terra. É um exemplo incontestável de profunda sutileza e providência, que somente poderia emanar de uma Inteligência Criativa; nenhuma outra hipótese servirá.

Sexta: Pela economia da Natureza, somos forçados a perceber que somente uma sabedoria infinita poderia ter previsto e preparado com tamanha prudência administrativa.

Creio em Deus, assevera aqui o Dr. Cressy Morrison, por causa de uma lei de equilíbrio que existe nas coisas. E elucida. Os australianos desejavam plantar nas suas terras inóspitas verdadeiros seminários e simultaneamente torná-las agrícolas. Mas, como os ventos alísios perpassavam e destruíam as plantações, ocorreu-lhes fazer sebes protetoras. E importaram, sem nenhum cuidado ecológico prévio, determinadas plantas para que elas fizessem paredes contra os ventos. Imediatamente viram o enorme equívoco em que incorreram, porque na Austrália não havia insetos inimigos daquelas plantas. E as plantas começaram a multiplicar-se. Dez anos depois haviam roubado uma área maior do que a das ilhas britânicas.Foi dado o alarme internacional. Usaram tratores, lança-chamas, herbicidas e as plantas continuavam multiplicando-se, expulsando lavradores, fechando aldeias, interrompendo cidades.

Nesse momento houve um congresso em Sidney e entomologistas do mundo inteiro foram ao congresso estabelecer como salvar a Austrália. Depois de oito dias de discussão chegaram à conclusão da lei natural, de que o equilíbrio ecológico é mantido entre vegetais e animais através de uma lei desconhecida. Para salvar a Austrália daquelas plantas, seria necessário que se encontrasse um inseto que, além de gostar especialmente daquela planta, ainda se multiplicasse muito, para que em pouco tempo terminasse com a invasão botânica.
Depois de procurar, e muito, chegaram à conclusão de que existia um tipo específico de besouro e que realmente seria um besouro famélico e facilmente reprodutível. Pesquisando no mundo inteiro, encontraram os tais besouros na Amazônia. Eram besouros famintos e que procriavam como somente a fome consegue explicar. Levaram os besouros amazonenses, jogaram sobre as plantas e ficaram aguardando.As plantas começaram a desaparecer e os besouros a se multiplicarem.

Veio então o caos oposto: as plantas estavam se acabando e o que iriam fazer com os besouros brasileiros? Nesse momento a lei funcionou, pois na razão direta em que diminuíam as plantas, diminuíam os besouros, ficando besouros para plantas e plantas para besouros, mantendo a lei do equilíbrio ecológico, esta lei que nos permite viver na Terra, porque existem classificadas, já, mais de 750 mil famílias de insetos. E todos sabemos que os insetos respiram através de tubos, porém na medida em que eles crescem os tubos não crescem, o que mantém o equilíbrio, porque eles morrem por falta de cubagem de ar. Mas isso não é um acaso,pois do contrário poderíamos encontrar pulgas e moscas com corpos de dromedários e paquidermes, tornando absolutamente impossível a vida na face da Terra.

Sétima: O fato de que o homem pode conceber a idéia de Deus já é, por si mesmo, a grande prova da existência de Deus.

Creio em Deus, por fim, proclama o Dr. Cressy Morrison, pela imaginação, porque só através da imaginação é que o homem pode conceber Deus. Como diz o salmista Davi, no canto 19, versículo 1 dos Salmos: “Cantam os céus a glória de Deus e o firmamento proclama a obra das suas mãos”.
É evidente. Numa noite tranqüila, de céu transparente e estrelado, quem desejar entender Deus faça uma viagem solitária por uma via erma, olhando a grandeza da escumilha celeste. E dirá, entusiasmado: “Senhor, eu vejo milhões de astros que brilham!” E cometerá o seu primeiro engano, porque somente se enxerga a olho nu 5 mil estrelas. Ou melhor, 2.500, porque as outras 2.500 estarão do outro lado do planeta, onde será dia. Quem duvidar, pode conferir! Mas se usar de um binóculo poderá ver 15 mil estrelas; se usar de um telescópio doméstico poderá ver 150 mil estrelas e se for olhar do telescópio de Monte Palomar poderá ver 30 milhões de estrelas em nossa Via Láctea.

Cantando as glórias de Deus!

E o homem emocionado, irá ao observatório de rádio-astronomia da Alemanha e saberá que a nossa Via Láctea tem mais de 100 bilhões de estrelas. E saberá também que é uma galáxia subdesenvolvida, porque existem trilhões de galáxias maiores do que a nossa.
Cantando as glórias de Deus!

E o homem poderá dizer a idade, poderá dizer a intensidade da luz que lhe revela a evolução e a decomposição estelar, porque, dizem os poetas, as estrelas são como as mulheres, quando jovens, tendo como por exemplo, na Espiga da Vigem, 11 mil graus centígrados, elas são brilhantes, brancas, esfuziantes, mas, como o Sol, uma estrela de quinta grandeza, tornam-se amarelas e mais adiante vermelhas, em pleno crepúsculo.

E o homem, entusiasmado, olhará em volta de si e compreenderá que a Via Láctea, conforme pregava Sir James Jeans, astrônomo inglês, poderia ser considerada um arco de carruagem; se o homem saísse da Terra, marchando na mesma direção da velocidade da luz, gastaria, para chegar ao arco da carruagem, 25 séculos, atravessando apenas a sua modesta e pequenina Via Láctea.

Então vem uma sensação de infinito, de grandeza de Deus que comove, e o homem, imediatamente, olhando toda essa grandiosidade, começará a compreender as distâncias. A luz do Sol, viajando a uma velocidade de cerca de 300.000 km/s, chega até nós aproximadamente 7 minutos e 8 segundos depois de ter partido de lá. Ele olha adiante e se deslumbra com a Alpha de Hércules. Mas Alpha de Hércules é uma estrela tão grande, que se ela fosse colocada no nosso sistema solar, no lugar do sol, tomaria o volume do próprio Sol, e ainda os planetas Mercúrio, Vênus, Terra e Marte caberiam dentro dela, porque ela é cerca de 80mil vezes maior do que o Sol.

Cantando as glórias de Deus!

E o homem olha e começa a medir. Terá que acompanhar novas descobertas da Ciência. Apenas nos anos 80, materializaram-se nos poderosos instrumentos dos pesquisadores estrelas de neutros tão massivas, que uma partícula delas, do tamanho de uma laranja, tem a massa estimada para a Terra, que é de 5 sextilhões e 883 quintilhões de toneladas! Foram detectados quasares, os corpos mais antigos e brilhantes do Universo, que somente podem ser observados em toda a sua plenitude através da associação de vários radiotelescópios postados em diferentes pontos do planeta. Um quasar chega a ter uma radiação 300 bilhões de vezes mais potente que a do sol, mas o seu sinal é muito débil, porque a sua luz vem varando os espaços há mais de 15 bilhões de anos-luz para chegar até nós!

E ao determo-nos em tal contemplação, saberemos que o Sol está caminhando para a morte. É que o nosso astro-rei, para manter em órbita os planetas Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão, converte centenas de milhões de toneladas de matéria em energia por segundo, de forma que quando o sol não puder manter mais,virá o desequilíbrio gravitacional. Mas não há motivo para nenhum tipo de pânico, porque, de acordo com o cálculo dos astrônomos, isto somente acontecerá daqui a bilhões de anos!

Cantando as glórias de Deus!

Do macrocosmo, aquele viajante solitário da erma estrada pára e leva a língua ao véu palatino. O palato móvel se ergue, ele trava em seco e Deus abandona a galáxia para vir para dentro da sua boca, através das papilas da língua: 5 milhões de corpúsculos gustativos, para lhe dar a sensação de quente, de frio, de doce e salgado.

Ele leva a mão à cabeça e dezenas de bilhões de neurônios cerebrais, encarregados da memória e de mandar a mensagem elétrica e ao mesmo tempo química, para imprimir nas telas e nos recônditos da alma as impressões percebidas pelos sentidos, estão no seu circuito perfeito.
Então ele se agita, e o mais perfeito circuito do mundo está dentro dele mesmo: o aparelho circulatório, que mede oscilantemente de 95 mil a 160 mil quilômetros de veias, vasos e artérias. Cantando as glórias de Deus! E é um aparelho auto-suficiente, porque ele elabora as energias e substâncias de que tem necessidade: leucócitos e hemácias. Se o indivíduo toma uma picada de alfinete, destrói milhares de capilares, e outros milhares de capilares correm para o lugar; se ele toma um talhe e vem a hemorragia, imediatamente os capilares dão-se as mãos, atiram uma camada de fibrina como se fosse um coágulo tampão de algodão para salvar-lhe a vida, porque senão se esvairia em sangue, como no caso dos hemofílicos, que não têm tal defesa.

Cantando as glórias de Deus!

Ele começa a pensar num acepipe, uma comida saborosa. Imediatamente 30 milhões de glândulas, só do estômago, começam a prepara o suco gástrico; ele pensa num bife gaúcho, ou naquele admirável churrasco rodante, que cada hora vem uma coisa e o estômago já sabe que as carnes piores vêm primeiro e as últimas só virão quando ele não agüentar mais. Então, imediatamente ele começa a prepara o suco gástrico. Porém se o indivíduo é um glutão, ele pensa imediatamente numa companhia; ele pensa em tomar um aperitivo e o estômago se prepara. Mas ele adora tortas e o estômago se prepara. Ele vai levando o bolo alimentar aos lábios e já está na papila da língua a enzima ptialina, encarregada pela digestão bucal. Quando ele vai levando o alimento, a enzima está preparada para a digestão, ele diz: “Não; não é isto que eu quero”. Devolve e pega outra coisa. Pobres das glândulas”. Jogam a substância fora e preparam outra. E se ele resolve comer uma salda de frutas ou de legumes, o estômago vê e prepara a reação, até quando não agüenta mais e lhe dá uma indigestão educativa”

Cantando as glórias de Deus!

E as glândulas supra-renais, mantendo o humor pela distribuição da adrenalina? E os rins? 106 quilômetros de veias,vasos e artérias para fazer o milagre do filtrado de sangue. As bombas pulmonares, filtrando a poluição com que o próprio homem destrói o seu ambiente de vida? E a bomba cardíaca, pulsando desde a vida pré-natal, na intimidade do útero materno, até o último instante, quando se dá a morte clínica e vem a degenerescência celular por falta de oxigenação do cérebro.

Cantando as glórias de Deus!

O aparelho genésico, a fonte da procriação, o santuário da espécie, que o homem enxovalha e conspurca perturbado pela sensação. Toda a aparelhagem endócrina. O timo e seus derivados.

Cantando as glórias de Deus!

A dor realmente espalhou-se pela face da Terra, mas isto aconteceu porque o homem voltou-se para dentro de si mesmo e fez-se egoísta.
Professor A. Cressy Morrison
Presidente da Academia de Ciências de New York.


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Divaldo Franco nos fala sobre as sete razões de Cressy




Fraternalmente,
Refletindo o Espiritismo

Thursday, December 24, 2015

Carta do senador Públio Lentulus ao imperador Tibério Cézar, descrevendo as características morais e físicas de Jesus

"Sabendo que desejas conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado o profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos, em uma só palavra: é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto, e há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor amêndoa bem madura, são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes.

Tem no meio de sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso nos nazarenos, o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face, de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis.

A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio, seu olhar é muito afetuoso e grave; tem os olhos expressivos e claros, o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade.

Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra, contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele se aproxima, verifica-se que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante à sua mãe, a qual é de uma rara beleza, não se tendo, jamais, visto por estas partes uma mulher tão bela, porém, se a majestade tua, ó Cézar, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dá-me ordens, que não faltarei de mandá-lo o mais depressa possível.

De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram.

Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram, jamais, tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de Tua Majestade; eu sou grandemente molestado por estes malignos hebreus.

Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo, aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido.

Vale, da Majestade Tua, fidelíssimo e obrigadíssimo... Públio Lentulus, presidente da Judéia Lindizione setima, luna seconda.”

(Este documento foi encontrado no arquivo do Duque de Cesadini, em Roma. Essa carta, onde se faz o retrato físico e moral de Jesus, foi mandada de Jerusalém ao imperador Tibério César, em Roma, ao tempo de Jesus.)

Fraternalmente,
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